A demanda por mudanças nas estruturas e dinâmicas de funcionamento das instituições públicas têm sido cada vez mais comuns. Isso se deve à necessidade de aplicar conhecimento que integre os servidores públicos com os processos e sistemas a fim de oferecer um serviço qualificado e estratégico para a sociedade. Daí a importância de implementar uma boa gestão de pessoas.

Neste artigo, você entenderá o impacto da qualidade no gerenciamento de pessoas e como ela pode ser aplicada no setor público. Para isso, serão explicados detalhes sobre o processo, a humanização deste, entre outros pontos. Continue a leitura para conferir!

O que é gestão de pessoas?

Segundo Maria Teresa Leme Fleury e Rosa Maria Fischer, no livro Processo e relações do trabalho no Brasil, a gestão de pessoas é um “conjunto de políticas e práticas definidas de uma organização para orientar o comportamento humano e as relações interpessoais no ambiente de trabalho”. Para convergir nesse processo de orientação, há seis bases que devem ser consideradas pelos gestores, sendo elas:

  • agregar;

  • aplicar;

  • recompensar;

  • desenvolver;

  • manter;

  • monitorar.

A gestão de pessoas tal conhecemos hoje teve o seu início no final do século XIX, a partir de um movimento da administração científica, comandado por Frederick W. Taylor e Henri Fayol. O movimento tinha o objetivo de propiciar a fundamentação científica a fim de padronizar tal atividade, evitando que a improvisação nesse sentido fosse o principal guia dos gestores.

Qual é a diferença entre a gestão de pessoas e Recursos Humanos?

Mas, afinal, gestão de pessoas e recursos humanos não são a mesma coisa? Na verdade, não. É preciso destacar as diferenças entre os dois para que os gestores saibam conduzir bem as suas equipes.

A gestão de pessoas está mais focada em desenvolvê-las, enquanto o RH é voltado para a criação de um relacionamento entre a organização e o colaborador. Alguns pontos ajudam a demarcar melhor essa diferença.

Um bom exemplo disso é o engajamento dos profissionais. O encarregado de gerir pessoas tem a capacidade de identificar a satisfação e insatisfação da equipe. A partir disso, ele pode entender quais os fatores levaram ao problema a fim de propor ao RH alternativas que ajudarão a solucioná-lo.

Outro aspecto importante diz respeito à reestruturação das equipes. O RH tem o papel de admitir e demitir, mas é a gestão de pessoas que consegue identificar e apontar aquele colaborador que poderá ser desligado. O interessante é que os dois se interligam, sendo essencial a presença de ambos em uma organização.

Qual é a importância da gestão de pessoas para o setor público?

As novas necessidades da população, a demanda por uma assistência mais qualificada, bem como a efetividade dos serviços fizeram com que a gestão de pessoas passasse a ter um papel primordial no setor público. A inserção da tecnologia, por exemplo, atenuou tal necessidade.

Isso porque as relações se tornaram mais complexas, as competências estão cada vez mais específicas e é justamente o capital humano o responsável pela percepção, ideias e melhorias que serão por ele executadas ou que serão de responsabilidade das máquinas.

A crescente necessidade de maior efetividade na prestação dos serviços, focando no interesse público, tornou indispensável o processo de humanização nessa área. Nele, a gestão de pessoas tem um papel fundamental. Caberá ao setor promover o crescimento intelectual, emocional, mas também desenvolver as dimensões psico-cognitivas (reunir e analisar informações) e político-organizacionais (tomar decisões).

Logo, a gestão de pessoas vem para humanizar o servidor, ou seja, pensar nele como um profissional consciente e responsável pelos problemas da sociedade como um todo. Focado nesse sentido, o servidor deixa de ser apenas uma peça na máquina pública e o seu crescimento como indivíduo profissional passa a ser valorizado.

Como aplicar a gestão de pessoas no setor público?

Entre os principais objetivos da gestão de pessoas estão motivar os colaboradores, investir em capacitação e treinamento, melhorar a qualidade de vida no trabalho, ajudar no gerenciamento de mudanças, implementar processos de comunicação mais eficazes, incentivar a atuação em equipe, promover a atuação ética, entre outros.

Nesse sentido, gerir pessoas em empresas públicas e privadas se assemelha em muitos pontos. Confira a seguir algumas dicas para implementar uma boa prática de gestão no setor público.

Promova uma comunicação livre e transparente 

Um dos maiores desafios da gestão de pessoas é com relação ao processo de comunicação. Geralmente, eles não são transparentes e objetivos, gerando uma interpretação ambígua ou dissonante da realidade.

Por isso, o primeiro passo de um gerenciamento de qualidade começa com o estímulo a uma comunicação mais integradora, ou seja, que dê abertura aos servidores e que também evite fofocas no funcionalismo. A ideia é que sejam feitas reuniões e emitidos comunicados ligados ao trabalho da instituição, criando assim uma comunicação oficial.

Coloque os feedbacks como essenciais no seu dia a dia

Não é porque uma pessoa tem estabilidade como servidor que ela pode se acomodar e deixar de melhorar o seu trabalho. Portanto, criar uma cultura de feedbacks é essencial para desenvolver os colaboradores. Aliás, nesse sentido, também é importante dar espaço ao servidor para que ele expresse as suas necessidades e dificuldades em relação às suas funções diárias.

O feedback ajudará o profissional a melhorar os seus pontos fracos e a continuar aperfeiçoando os seus pontos fortes. Isso permite uma progressão no trabalho do servidor, que poderá oferecer melhores serviços à população e otimizar o trabalho interno, aumentando a produtividade.

Trabalhe a autonomia e a liberdade de ação 

Um colaborador motivado e satisfeito contribui efetivamente com a melhoria da qualidade dos serviços a serem prestados à população. Portanto, uma questão importante da gestão de pessoas se refere à autonomia dada aos servidores.

Uma maneira de incentivar tal ação é ter uma liderança que expressa confiança nos colaboradores, dando a eles liberdade em sua rotina de trabalho. Para isso é preciso incentivar o desenvolvimento de ações focadas na excelência e qualificar os profissionais para que eles sempre deem o seu melhor.

Quais são as principais tendências em gestão de pessoas no setor público?

O setor público vem passando por uma série de mudanças, como a maior inserção tecnológica em seu dia a dia. Confira algumas tendências para a gestão de pessoas no setor público.

Redução do número de chefes 

Uma das tendências da gestão de pessoas aplicada à administração pública é a passagem do modelo extremamente rígido e burocrático para uma metodologia mais gerencial, tal como as empresas. Isso seria essencial no processo de descentralização do poder e na busca por melhores resultados, visto que os servidores terão um papel mais ativo na instituição.

Aumento do foco nos cidadãos 

O desenvolvimento do trabalho interno dos servidores passará a ser voltado cada vez mais ao cidadão. Ou seja, as métricas ligadas aos resultados apresentados pelos órgãos serão medidas tanto pela satisfação quanto pelas entregas à população.

Criação de equipes de alta performance 

Como a gestão de pessoas passa a ser melhor trabalhada, os gestores conseguem atuar melhor com o capital intelectual, o que consequentemente forma equipes de alta performance. Isso será fundamental para garantir um diferencial competitivo profissional no fornecimento de serviços.

Implementação de um sistema de recompensas 

O governo tem seus planos de carreira para o funcionalismo público. No entanto, existe uma tendência focada em trabalhar com a implementação de um sistema que ajude na recompensa dos talentos e na retenção deles, tornando a carreira pública ainda mais atrativa e motivando os indivíduos ao desenvolvimento.

A gestão de pessoas no setor público segue uma linha um pouco diferente da empresarial, pois essa primeira ainda está caminhando para um desenvolvimento macro de suas ações. A implementação de um sistema regido por competências visa a uma contribuição para alcançar objetivos mais satisfatórios na administração pública.

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